À melancólica música de Chopin ele chorara
e compensava as quentes gotas com borbulhante bebida.
Nos macabros versos elevava a bela mulher que amara,
ao mesmo tempo em que beijava o seu corpo já sem vida.
Naquela noite vestia o cadáver com o sinistro véu,
embriagando-se com o gostoso sangue espumado
para conseguir bailar a valsa nupcial acordado
e não lhe derramar as nostálgicas lágrimas de fel.
O prateado candelabro, imponente, os iluminava
e refletia os negros vultos na porta da consciência.
Por que este marginal fazia o que ninguém imaginava?
Por que nunca deixava o corpo apodrecer, com paciência?
As desfolhadas árvores falavam sobre o marginal
e o vento agonizava súplicas de piedade
para aquela morta, que não lhe fizera alguma maldade,
para aquela, que não lhe dispensara o amor espectral.
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