Sábia natureza, que ensina no final
a última lição para este animal:
a verdadeira importância está na essência,
e não na casca vista com magnificência.
Leigo homem, que só com a pele se preocupa
até que o oculto esqueleto se deturpa,
perceba a infinidade do conteúdo
e veja a perfeita lei que impulsiona tudo.
Mesmo quando apodrecido, o homem não aprende,
pois o sofrimento da carne é mais visível
e futilidade da vida não surpreende.
Desgraça do mundo se impõe na realidade,
mal escondida pelas cortinas da forma,
mas perfeitamente feito à humanidade.
domingo, 31 de julho de 2011
A essência da ambiguidade
O vento, que leva o polén das flores,
na fúria, busca a natural presença.
Viúva-negra, que brinca em odores,
em seguida dá ao macho sua fria sentença.
O mar, que tantos suspiros cultiva
também afoga a alma mais cativa.
Lua humana, que em noites mostra vida,
só se esconde quando mais se precisa.
Brasas das quais há muito vem a essência,
retiram do amor a sua excelência.
O amor, que tantos lençóis desarruma,
abandona a virgem na triste pluma.
E vem, passa e espera e renova
e nunca faltaria alguma prova
que não mostrasse a grande ignorância
das pequenas ambiguidades desta vida.
na fúria, busca a natural presença.
Viúva-negra, que brinca em odores,
em seguida dá ao macho sua fria sentença.
O mar, que tantos suspiros cultiva
também afoga a alma mais cativa.
Lua humana, que em noites mostra vida,
só se esconde quando mais se precisa.
Brasas das quais há muito vem a essência,
retiram do amor a sua excelência.
O amor, que tantos lençóis desarruma,
abandona a virgem na triste pluma.
E vem, passa e espera e renova
e nunca faltaria alguma prova
que não mostrasse a grande ignorância
das pequenas ambiguidades desta vida.
Rosas de enxofre
Vida inútil de sonhador é prisão,
sem nunca apreciar a voz do coração.
É perder o começo sem libertar o amor,
é espírito triste banhado de toda a dor.
Se da pior fúria amado é o ser
e, em volúpia, gozando é poder se conhecer,
Calipso, retira-me deste podre naufrágio,
liberta-me da morte, meu único sufrágio!
Poderoso veneno que vem e alucina,
bebo-te feliz, suave lagrimo
de nunca alheia vida que fascina
ser igual a minha, que sempre imagino.
O escasso ar foge-me toda a alma.
Corrói-me o passado, o sulco do destino.
Fogo ardente no sangue acalma
vertente das trevas, que cedo sublimo.
Nunca seus lábios beijarei um dia,
pois rosas de enxofre exalam meu castigo.
Fortuna negra que repudia o sóbrio comigo
substitui, agora, o amor que me salvaria.
sem nunca apreciar a voz do coração.
É perder o começo sem libertar o amor,
é espírito triste banhado de toda a dor.
Se da pior fúria amado é o ser
e, em volúpia, gozando é poder se conhecer,
Calipso, retira-me deste podre naufrágio,
liberta-me da morte, meu único sufrágio!
Poderoso veneno que vem e alucina,
bebo-te feliz, suave lagrimo
de nunca alheia vida que fascina
ser igual a minha, que sempre imagino.
O escasso ar foge-me toda a alma.
Corrói-me o passado, o sulco do destino.
Fogo ardente no sangue acalma
vertente das trevas, que cedo sublimo.
Nunca seus lábios beijarei um dia,
pois rosas de enxofre exalam meu castigo.
Fortuna negra que repudia o sóbrio comigo
substitui, agora, o amor que me salvaria.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
O teria sido....
Às vezes me pego pensando como teria sido. Como teria sido se tivesse dado mais atenção às pessoas que realmente me dão valor nessa vida. Como teria sido, se naquele tempo aparecesse a pessoa ideal, e dividisse comigo toda uma vontade de viver inocente e única. Se não tivesse perdido tanto tempo em procurar o que estava tão próximo e óbvio. Como teria sido?
Mas não fica apenas no "teria sido". Também me domina a vontade de tentar denovo para que o "teria sido" se transforme no "foi". Porém, tudo é único. Os acontecimentos são circunstanciais e mesmo que pareçam se repetir, a situação não é a mesma, o momento não é o mesmo, já passou, já era...
Então fantasio o "teria sido" como um mundo paralelo e viajo até ele. Lá, tudo é perfeito, não há problemas, não há desafios, porque tudo é exatamente como deveria ter sido... Subitamente me cai um tédio infindável. Uma sensação de nada ser diferente, de não ter problemas, de não ter um motivo, uma razão, nada!! E tudo vai abaixo, tudo se transforma em um inferno gelado de Dante. Tudo se repete da melhor forma possível e me vejo preso naquela sensação inerte, preso, em ações repetidas, perfeitas, infindáveis. O tempo passa, e minhas ações são todas previsíveis, tudo ocorre conforme deveria. Logo me dá uma vontade louca de voltar ao mundo real das dúvidas, dos erros, das coisas que ocorrem da forma que ocorrem e não como deveriam ter sido....
Mas não fica apenas no "teria sido". Também me domina a vontade de tentar denovo para que o "teria sido" se transforme no "foi". Porém, tudo é único. Os acontecimentos são circunstanciais e mesmo que pareçam se repetir, a situação não é a mesma, o momento não é o mesmo, já passou, já era...
Então fantasio o "teria sido" como um mundo paralelo e viajo até ele. Lá, tudo é perfeito, não há problemas, não há desafios, porque tudo é exatamente como deveria ter sido... Subitamente me cai um tédio infindável. Uma sensação de nada ser diferente, de não ter problemas, de não ter um motivo, uma razão, nada!! E tudo vai abaixo, tudo se transforma em um inferno gelado de Dante. Tudo se repete da melhor forma possível e me vejo preso naquela sensação inerte, preso, em ações repetidas, perfeitas, infindáveis. O tempo passa, e minhas ações são todas previsíveis, tudo ocorre conforme deveria. Logo me dá uma vontade louca de voltar ao mundo real das dúvidas, dos erros, das coisas que ocorrem da forma que ocorrem e não como deveriam ter sido....
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Equilíbrio inexistente
Onde está o eterno equilíbrio, Atena?
A balança nunca para (que pena?!)
Pois jamais houve real harmonia
entre os seres humanos algum dia.
Se a sociedade não é equilibrada
é que razão e coração são conflito
uma esperança só é idealizada
a perfeição divina em mortal um mito.
A oposição não equilibra o contrastável.
Se algum dia o mortal foi equilibrado
foi porque escondeu sua parte mutável
e sonhou o que a vida havia negado.
O belo diverge da convenção,
não se baseia apenas na razão,
mas também em espíritos sucintos,
havendo o encontro dos pontos distintos.
A balança nunca para (que pena?!)
Pois jamais houve real harmonia
entre os seres humanos algum dia.
Se a sociedade não é equilibrada
é que razão e coração são conflito
uma esperança só é idealizada
a perfeição divina em mortal um mito.
A oposição não equilibra o contrastável.
Se algum dia o mortal foi equilibrado
foi porque escondeu sua parte mutável
e sonhou o que a vida havia negado.
O belo diverge da convenção,
não se baseia apenas na razão,
mas também em espíritos sucintos,
havendo o encontro dos pontos distintos.
Assinar:
Comentários (Atom)
