domingo, 31 de julho de 2011

Rosas de enxofre

Vida inútil de sonhador é prisão,
sem nunca apreciar a voz do coração.
É perder o começo sem libertar o amor,
é espírito triste banhado de toda a dor.

Se da pior fúria amado é o ser
e, em volúpia, gozando é poder se conhecer,
Calipso, retira-me deste podre naufrágio,
liberta-me da morte, meu único sufrágio!

Poderoso veneno que vem e alucina,
bebo-te feliz, suave lagrimo
de nunca alheia vida que fascina
ser igual a minha, que sempre imagino.

O escasso ar foge-me toda a alma.
Corrói-me o passado, o sulco do destino.
Fogo ardente no sangue acalma
vertente das trevas, que cedo sublimo.

Nunca seus lábios beijarei um dia,
pois rosas de enxofre exalam meu castigo.
Fortuna negra que repudia o sóbrio comigo
substitui, agora, o amor que me salvaria.

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