domingo, 31 de julho de 2011

A essência da ambiguidade

O vento, que leva o polén das flores,
na fúria, busca a natural presença.
Viúva-negra, que brinca em odores,
em seguida dá ao macho sua fria sentença.

O mar, que tantos suspiros cultiva
também afoga a alma mais cativa.
Lua humana, que em noites mostra vida,
só se esconde quando mais se precisa.

Brasas das quais há muito vem a essência,
retiram do amor a sua excelência.
O amor, que tantos lençóis desarruma,
abandona a virgem na triste pluma.

E vem, passa e espera e renova
e nunca faltaria alguma prova
que não mostrasse a grande ignorância
das pequenas ambiguidades desta vida.

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