sexta-feira, 30 de abril de 2010

Existe um mundo por debaixo dos panos, que não vemos ou fingimos não ver, para não cairmos em desesperança total com a realidade. Um mundo onde tudo é facilitado, onde o "não" pode virar "sim", que depende de influências, de favores e interesses, em detrimento da igualdade ilusória perante tudo que achamos que temos direito....

domingo, 11 de abril de 2010

Nuvem de solidão

E desce uma nuvem de solidão
que envolve tudo em nostalgia
o cheiro seco da ingratidão
que em cálida dor se revelaria

E o gosto ácido de fel nas lágrimas
e da esperança que se transfigura
os dias vindouros nas páginas
do livro da vida só amargura

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Carta ao pai

Essa poesia também fiz aos 18 anos. É em homenagem ao meu pai :

Carta ao pai

Naquela manhã as pessoas estavam lindas,
as pétalas do amor as mantinham unidas.
Bem longe, passeava um barquinho sozinho,
com nenhuma atenção, seguia o seu caminho.

Quando o puro céu em púrpura cor se pintava,
e o poderoso sol já perdia a potência,
a simbiótica corda já se queimava,
satirizando em chicote na consciência.

Serenas águas em turvas se converteram,
pois valente lua é por trevas invejada.
As tredas águas o barco não detiveram
e a confiança acre da lua era guiada.

A noite começava a engolir o mar
e o amor daquelas pessoas expulsar.
Mas aquele valente barco não cedia,
cheiro da angústia noturna não possuía.

Mas por que se ele tão frágil não padecia?
Por que se o mar tão furioso não o matava?
É porque dentro daquele barquinho estava
o amor que tão cedo lhe revelaria